Três desenhos humorísticos realizado por crianças em diferentes períodos. Dois deles é do Luis Akio Matuoka, que tinha 13 anos quando fez os desenhos. Eles são de 2001. O terceiro é do Arthur Abade, de 8 anos, que acabou de desenhar. Em comum a ingenuidade temática, própria da criança, e o visível talento.
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Humor infantil 1
Três desenhos humorísticos realizado por crianças em diferentes períodos. Dois deles é do Luis Akio Matuoka, que tinha 13 anos quando fez os desenhos. Eles são de 2001. O terceiro é do Arthur Abade, de 8 anos, que acabou de desenhar. Em comum a ingenuidade temática, própria da criança, e o visível talento.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Sessão Clone 1
A partir de 1998 começamos a publicar o Boletim Garatuja. Era a oportunidades que tínhamos de divulgar nosso trabalho com mais profundidade. Na época não havia a facilidade do e-mail, facebook e tantos outros meios digitais de troca de informação, restando somente distribuir folhetos ou então publicar matérias nos jornais da cidade. Essas mídias tinham suas limitações, principalmente em relação a quantidade de informação e custo. Foi então que partimos para a produção de nosso próprio Boletim. Os patrocínios locais cobriam as despesas de impressão, mas o resto era totalmente produzidos por mim e a Élsie, sem ganhar nada. Fazíamos o boneco inicial, a venda de espaços publicitários, a realização dos anúncios, matérias, fotos, desenhos, ilustrações, diagramação e distribuição. A única etapa que não fazíamos era a impressão, que sempre foi da Gráfica Redijo, do meu amigo Marcelo Mitt. Não havia data certa para seu lançamento, numa das edições cheguei a colocar: nem mensal, nem semanal, apenas eventual. A partir do número 13 comecei a publicar, na última página, a Sessão Clone (falava-se muito em clonagem na época). Nessa sessão eu pretendia brincar com os humoristas mais conhecidos, copiando-lhes o estilo. Explico melhor: eu pegava uma piada de determinado humorista e recriava essa mesma piada num contexto local. Foi assim que ironizei a matéria publicada num jornal bastante conhecido da cidade que afirmava, categoricamente, existir mais de 500 artistas em Atibaia. Piada!? O primeiro artista clonado foi Carlos Estevão. Segue a matéria e os desenhos. Para visualizar melhor click na imagem. Mais informações: http://www.garatuja.org.br/bole.html
Texto Sessão Clone do Boletim Garatuja
Rembrandt, Goya, Velázques e tantos outros artistas foram mestres em pintar retratos numa época em que não existia câmara fotográfica. Seus retratos passaram para a história quase sempre de forma idealizada e edificante. Outros artistas optaram por fazer o mesmo trabalho de forma diferente, através da caricatura e do desenho de humor. Provavelmente sem a pompa dos artistas eruditos, mas sem dúvida são eles, os caricaturistas, que fazem o verdadeiro retrato. Ao contrário dos primeiros, que primam por atenuar os defeitos dos modelo, os caricaturistas procuram justamente exagerar nesses pormenores, aliás, daí o nome caricatura, que deriva do verbo italiano "caricare" (carregar, sobrecarregar, com exagero). Assim como no futebol, o Brasil e a Argentina são respeitados no mundo todo pelo time de humoristas que possui, talvez porque nossa classe política, assim como a de lá, esteja sempre dando uma forcinha. Mas se um político pode fazer muito estrago com uma caneta na mão, o humorista luta com a mesma arma, só que revelando ao povo a bunda nua do rei. A Sessão Clone é uma homenagem aos humoristas, onde a cada edição do Boletim Garatuja um artista será clonado, e se possível com temáticas adaptadas ao nosso torrão. Para começar vem o Carlos Estevão, pernambucano de humor fino, nascido em 1921, que fez muito sucesso nos anos 50 e 60 através da Revista O Cruzeiro, onde publicava semanalmente duas páginas com sátiras de costume, ironizando as fraquezas humanas e o absurdo da vida. Retratava quase sempre os homens peludos e suarentos e as mulheres gordas e feias. Fez personagens como o Dr Macarra, que tinha sempre uma resposta pronta para seus fracassos, e séries geniais como: Ser Mulher; Perguntas Inocentes; As duas Faces do Homem e As Aparências Enganam, aqui clonadas. Durante anos desenhou O Amigo da Onça, após o falecimento de Péricles, seu criador. Personagem lendário do humor brasileiro, O Amigo da Onça adapta-se perfeitamente a muitas pessoas que conhecemos ao longo da vida, daí seu eterno sucesso. Mas isso fica pra próxima edição. Carlos Estevão morreu em 1970, com menos de 50 anos.
domingo, 14 de abril de 2013
Crianças fazem novas caricaturas para o Salãozinho.
| Arthur R. Abade, de 8 anos, caricaturando o Seu Madruga. |
| Lia Tricoli, de 12 anos, caprichando no Pe Lanza. |
Alguns alunos do Garatuja já preparam os trabalhos que serão enviados ao Salãozinho de Humor de Piracicaba deste ano. Em outubro de 2011 o aluno Davi Veroneze ganhou segundo lugar na categoria 11 a 14 anos com duas caricaturas, uma do Tiririca e a outra do cantor Marilyn Manson. Em 2012, já com 15 anos, teve de inscrever os trabalhos para o Salão oficial, disputando espaço com artistas bem mais "rodados" e até profissionais da área. Embora tenha enviado dois belos trabalhos, não foi aceito, mas nesse mesmo ano quem entrou no Salãozinho foi a aluna Lia Tricoli. A Lia satirizou os personagens do seriado Chaves e com as caricaturas Senhor Barriga, Chiquinha e Chaves ganhou terceiro lugar na categoria 7 a 10 anos. Embora voltado as crianças, o Salãozinho já é bastante disputado em função do grande número de trabalhos inscritos, número que aumenta a cada ano que passa. Nossa intenção, ao enviar trabalhos ao Salãozinho, não é ganhar prêmios (embora fiquemos muito contentes por isso), mas de incentivar os alunos a descobrir diferentes linguagens e formas de expressão, além de conhecer o que de melhor se produz na área. Nos dois anos em que o Garatuja participou do Salãozinho, as crianças e seus familiares estiveram presentes na exposição e puderam acompanhar também o trabalho feito pelos "adultos" do Salão oficial. Depois desse contato sentimos um visível interesse por parte deles em tudo que envolve o desenho de humor. Nossa didática de trabalho, adquiridos nos trinta anos de atividades consecutivas no ensino da arte para crianças, engloba sempre uma reflexão da criança antes de botar as "mãos na massa". Essa reflexão vem de longas conversas que surgem quando apresentamos trabalhos realizados pelos maiores artistas da área, através de livros e da própria internet, que, diga-se de passagem, facilitou muito esse processo. O que "cobro" bastante é em relação ao acabamento e elaboração do trabalho, recorrendo para isso de minha longa "quilometragem" na área, ficando atendo aos limites e possibilidades de cada aluno. Quanto ao resto é sempre com a própria criança. Criatividade é com eles e nesse quesito, nós adultos, devemos calar, observar e ver se aprendemos alguma coisa !!!
Abaixo o Atthur dá uma aula...Como fazer uma caricatura!
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Caneta Bic 1
| Charles Chaplin em caneta Bic, de Márcio Zago |
Em qualquer atividade, tempo e elaboração, são fundamentais para o aprimoramento. Sempre fiz caricatura de forma esporádica, como treino mesmo, portanto nunca me senti confortável em torná-las públicas. Acho que falta "dormir em cima", decantar e apurar a linguagem. Considero minhas caricaturas exercícios gráficos sem qualquer outra pretensão, mas isso não impede que, vez ou outra, arrisque alguma coisa. Foi assim que em 2004 tomei coragem e enviei um trabalho para Zemun International Salon of Caricature, na Sérvia. Zumun é mundialmente conhecida por seus caricaturistas. Por lá nasceram, ou viveram, os maiores desenhistas de humor da Iugoslávia. Esse Salão existe desde 1996, e se tornou bastante conceituado no meio, mantendo viva a "escola Zemun de humor" através de publicações de livros, organização de exposições e publicação da única revista especializada em humor da Iugoslávia, a Kart, que teve 39 edições até parar em 2004. No ano em que enviei meu trabalho o tema era teatro e cinema. Como havia caricaturado o Charles Chaplin alguns anos antes, resolvi enviá-lo ao Salão. Ele foi aceito e tempos depois recebi em casa um lindo catálogo com os trabalhos selecionados, com direito a foto do artista e tudo...pena ser numa língua que não dá pra entender nada do que está escrito. Entre os brasileiros havia feras como Amorim, Gilmar, Spacca e outros, além de artistas do mundo todo. O desenho foi integrado ao acervo do Salão e mais tarde os organizadores irão compor um museu na cidade. Aqui a versão em caneta bic.
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Lia Tricoli, aluna do Garatuja, ganha terceiro lugar no Salãozinho de Humor de Piracicaba.
O Instituto Garatuja sente-se muito feliz em anunciar, pelo segundo ano consecutivo, que nossa aluna foi premiada no Salãozinho de Humor de Piracicaba. Dessa vez foi a Lia Tricoli que pegou terceiro lugar na categoria 7 a 10 anos. No ano passado Davi Veronese ganhou o desejado troféu pelo segundo lugar na categoria 11 a 14 anos. http://institutogaratuja.blogspot.com.br/2011/10/premiacao-do-salaozinho-de-humor.html . O Salãozinho é um evento paralelo ao Salão oficial e já esta na décima edições. Nesse ano o Salãozinho bateu recorde de inscrições. Foram 3.400 obras enviadas por 58 escolas de 12 cidades brasileiras e uma da Argentina. Essa é a primeira vez que o evento recebeu inscrição internacional. Foram selecionados 255 trabalhos, analisados pela artista plástica Marilu Trevisan, pelo arte educador Danilo D'Angeli e pelo cartunista Willian Hussar. Em Piracicaba é feito um amplo trabalho de difusão da linguagem junto as escolas, com a intenção de motivar a criançada a pensar e desenhar com humor. É um trabalho maravilhoso (criança e alegria tem tudo a ver), e reafirma Piracicaba como a Cidade do Humor. A cerimônia, que premiou os trabalhos nas duas categorias, aconteceu na tarde deste domingo (23) no Teatro Erotídes de Campos, no Engenho Central. Os premiados ganharam troféus e brindes. Parabéns aos pais da Lia, aos organizadores do evento, a todos os garotos que participaram do Salãozinho, premiados ou não, e principalmente a Lia Tricoli, pelos desenhos apresentados (Não te disse que estava ficando bom?)...e parabéns pro Garatuja também, por que não? A exposição segue até 14 de outubro no Engenho Central. Abaixo links do evento.
http://institutogaratuja.blogspot.com.br/2012/06/garatuja-no-salaozinho-de-humor-de.html
http://salaodehumor.blogspot.com.br/2012/09/salaozinho-de-humor-divulga-premiados.html
https://www.facebook.com/media/set/?set=a.351016858318859.88739.100002316437264&type=1&l=b0fc00fc3a
https://www.facebook.com/media/set/?set=a.351019944985217.88740.100002316437264&type=1&l=af3506a6be
sábado, 15 de setembro de 2012
Mais uma participação do Garatuja no Salãozinho de Humor de Piracicaba.
Fica aberto até o dia 14 de outubro o 39º Salão Internacional de Humor de Piracicaba. Esse é o mais importante evento ligado ao humor no Brasil e considerado um dos mais tradicionais do mundo. Criado em 1974 por iniciativa de jornalistas e intelectuais de Piracicaba-SP, em plena ditadura militar, ele contou com o apoio de grandes nomes do humor nacional como Millôr Fernandes, Jaguar, Fortuna, Henfil, Ziraldo, Zélio e Paulo Francis, à época os responsáveis pelo irreverente Jornal O Pasquim. Abaixo um vídeo, realizado originalmente em Super 8, que mostra a abertura do 1º Salão de Humor. Os livros Sem Sahida, de Zélio Alves Pinto e Ovelha Negra, de Geandré, que aparecem nele fazem parte da pequena biblioteca do Garatuja que conta também com outras publicações, gibis e revistas ligadas ao humor disponibilizadas aos freqüentadores do espaço.
Para o Salão desse ano foram selecionados 436 obras entre os 3.442 trabalhos inscritos, distribuídos entre 89 caricaturas, 100 cartuns, 76 charges, 78 tiras/HQs e 85 trabalhos sobre o tema intolerância, além de 8 peças tridimensionais que também fazem parte da exposição. Além de contar com a inscrição de artistas de todos os estados brasileiros, o Salão teve ainda inscrição de países como Albânia, Bulgária, Chipre, Croácia, Grécia, Finlândia, Hungria, República Tcheca, Lituânia, Polônia, Romênia, Nova Zelândia, Rússia, Azerbaijão, Cazaquistão, China, Uzbequistão, Irã, Israel, Macedônia, Paquistão, Quênia, Sérvia, Sudão, Turquia, Ucrânia, entre outros. Com esse histórico dá para se ter uma idéia da dificuldade que é ser selecionado. Nosso ex-aluno Davi Veronese foi premiado no ano passado, pegando 2º lugar no Salãozinho de Humor, evento paralelo dedicado as crianças e jovens até 14 anos.
http://institutogaratuja.blogspot.com.br/2011/10/premiacao-do-salaozinho-de-humor.html Esse ano, como não podia mais participar do Salãozinho, Davi enviou dois trabalhos para o Salão oficial, e não foi selecionado...mas isso não é motivo para desanimo. Primeiro porque ele só tem 15 anos de idade, portanto, com longo caminho pela frente e depois porque disputou espaço com artistas gráficos profissionais de vários países. Muitos marmanjos tentam a anos entrar nesse Salão e também não conseguem. É por essa dificuldade que o Salão de Humor de Piracicaba é referencia e passaporte para os iniciantes na profissão. Abaixo as caricaturas feitas pelo Davi. Dá pra ver que talento não lhe falta, mas em arte só passa pelo estreito funil quem insiste, persiste e bota fé no próprio taco...e isso só depende dele.
Para o 10º Salãozinho de Humor de Piracicaba desse ano mandamos dessa vez os trabalhos de Lia Tricoli, de onze anos. Ela foi selecionada com três caricaturas dos personagens do seriado Chaves. Logo no inicio desse blog postei um texto (O Humor no Garatuja) onde falo sobre o processo de descoberta do desenho pela Lia.
Para o Salão desse ano foram selecionados 436 obras entre os 3.442 trabalhos inscritos, distribuídos entre 89 caricaturas, 100 cartuns, 76 charges, 78 tiras/HQs e 85 trabalhos sobre o tema intolerância, além de 8 peças tridimensionais que também fazem parte da exposição. Além de contar com a inscrição de artistas de todos os estados brasileiros, o Salão teve ainda inscrição de países como Albânia, Bulgária, Chipre, Croácia, Grécia, Finlândia, Hungria, República Tcheca, Lituânia, Polônia, Romênia, Nova Zelândia, Rússia, Azerbaijão, Cazaquistão, China, Uzbequistão, Irã, Israel, Macedônia, Paquistão, Quênia, Sérvia, Sudão, Turquia, Ucrânia, entre outros. Com esse histórico dá para se ter uma idéia da dificuldade que é ser selecionado. Nosso ex-aluno Davi Veronese foi premiado no ano passado, pegando 2º lugar no Salãozinho de Humor, evento paralelo dedicado as crianças e jovens até 14 anos.
http://institutogaratuja.blogspot.com.br/2011/10/premiacao-do-salaozinho-de-humor.html Esse ano, como não podia mais participar do Salãozinho, Davi enviou dois trabalhos para o Salão oficial, e não foi selecionado...mas isso não é motivo para desanimo. Primeiro porque ele só tem 15 anos de idade, portanto, com longo caminho pela frente e depois porque disputou espaço com artistas gráficos profissionais de vários países. Muitos marmanjos tentam a anos entrar nesse Salão e também não conseguem. É por essa dificuldade que o Salão de Humor de Piracicaba é referencia e passaporte para os iniciantes na profissão. Abaixo as caricaturas feitas pelo Davi. Dá pra ver que talento não lhe falta, mas em arte só passa pelo estreito funil quem insiste, persiste e bota fé no próprio taco...e isso só depende dele.
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| O escritor Monteiro Lobato |
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| Cantora e compositora Rita Lee |
Para o 10º Salãozinho de Humor de Piracicaba desse ano mandamos dessa vez os trabalhos de Lia Tricoli, de onze anos. Ela foi selecionada com três caricaturas dos personagens do seriado Chaves. Logo no inicio desse blog postei um texto (O Humor no Garatuja) onde falo sobre o processo de descoberta do desenho pela Lia.
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| Seu Barriga |
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| Chiquinha |
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| Chaves |
sexta-feira, 13 de julho de 2012
História de uma caricatura
Em 1983 produzimos em Atibaia um jornal chamado Carta de Atibaia. O Pasquim ainda era modelo para quem quisesse fazer jornalismo sem paletó e gravata. A intenção era produzir um jornal descontraído, que refletisse as novas dinâmicas da cidade através do humor, do comentário, da entrevista e da opinião, coisas que não eram comuns nos jornais locais da época. É bom lembrar que foi um ano importante para a cidade com o Tombamento da Pedra Grande pelo Condephaat, resultado de intensa mobilização social e, senão o primeiro, um dos primeiros movimentos ecológicos com resultados práticos do Brasil. Naquela época computador era coisa de ficção científica e um jornal se fazia na raça. Não era como hoje, que podemos realizar um jornal inteiro em nosso computador caseiro e mandar um PDF pra gráfica. Poucos lugares dispunham de equipamentos para rodar um jornal, e Carta de Atibaia era feito na cidade vizinha de Bragança Paulista, pagando-se por hora, daí a pressa em fechar a edição e seguir logo para a gráfica. Lembro que nosso período começava no final da tarde de determinado dia da semana e só terminava no dia seguinte, quando deveria estar tudo pronto para ser impresso. E assim foram seis noites (uma por semana) que varamos em claro procurando letras em revistas, recortando e colando para montar novos títulos, ou então desenhando, "passando branquinho", etc. Esse trabalho era chamado paste-up, uma das atividades extintas pela tecnologia digital.
O Carta de Atibaia foi concebido pelo Euclides Sandoval e pelo Fábio Napolitano, que também financiou o jornal. A diagramação era minha. Havia outras pessoas envolvidas, como o Denizar Sandoval cobrindo as notícias da câmara, entre outros. Embora durando somente seis edições, esse jornal foi uma grande escola pra mim. Uma das coisas que fiz lá foi a caricatura de um vereador da época chamado Gaspar Camargo. Havíamos feito uma entrevista enorme com ele, que durou quatro horas de gravação e que depois foi "espremido" em duas edições, com letras minúsculas ( Pensando bem, acho que nem ele conseguiu ler direito). Essa caricatura ganhou destaque nas páginas do jornal e ironizava suas inúmeras façanhas com medalhas no peito feitas com tampinhas de garrafas. Imaginava que ele não iria gostar da brincadeira, mas para minha surpresa aconteceu o inverso. Ele adorou! Foi o primeiro acontecimento em que ganhei certa notoriedade. Andava pela cidade e via o recorte do meu desenho pendurado nos lugares mais estranhos. Claro que a timidez não permitiu que me identificasse nesses casos, mas intimamente ria do que havia feito. Esse recortes permaneceram por muito tempo em determinados lugares, a ponto de um dia, muito tempo depois, entrar no gabinete de outro vereador e encontrar ainda lá minha caricatura fixada num mural, já amarelada pelo tempo. Desde então penso muito antes de fazer a caricatura de alguém, principalmente de político. Eles adoram ver suas caras estampadas nos lugares, nem que seja de forma ironizada. É o famoso "falem mal, mas falem de mim". Como faço caricatura somente como exercício gráfico, portanto sem compromisso com pautas, prefiro desde então outros temas bem mais interessantes para praticar, mas claro, toda regra tem exceção. E como escreveu Millôr Fernandes: "Se toda regra tem exceção, então, esta regra também tem exceção e deve haver, perdida por aí, uma regra absolutamente sem exceção".
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